ORAÇÃO

Preparo a minha oração, fazendo silêncio no meu coração, procurando um lugar tranqüilo, buscando uma posição cômoda para o corpo, e respirando lentamente.

Leio duas ou mais vezes, se necessário, o texto de João 6,48-63.

Marco as frases e palavras que mais me tocaram e chamaram a atenção. Volto a elas e as medito calmamente.

Procuro entrar no significado de cada palavra. O que significa para mim a palavra de Jesus de que Ele é o Pão da Vida? Sinto que pela Eucaristia me uno mais a Jesus, entro em maior comunhão com Ele, participo mais de sua vida, seu destino e sua missão? Entro também em maior comunhão com os irmãos?

E, para ajudar-me em minha participação da Eucaristia, pergunto-me: Como tenho celebrado a Eucaristia? Com que disposições internas? Ajudo à minha comunidade a celebrá-la de modo mais criativo e participativo?

Sou fiel a um momento diário de oração pessoal, de preferência, sendo possível, de adoração eucarística?

Termino rezando com o texto de Filipenses 1,3-11.

Revisão: Avalio o meu tempo de oração e anoto o que mais me chamou a atenção, mais tocou o meu afeto e iluminou a minha reflexão.


1ª MEDITAÇÃO
O DINAMISMO DO AMOR SALVADOR

Introdução:

A nossa missão Sagrados Corações se define como: "contemplar, viver e anunciar ao mundo o Amor de Deus encarnado em Jesus"... Somos chamados a viver o "dinamismo do Amor Salvador".

Na raiz de nossa espiritualidade, como seiva invisível, como realidade mais profunda, que alimenta a árvore de toda a nossa Congregação, expressando-se de diferentes maneiras concretas (em distintos galhos e ramos), está o Amor de Deus.

O Amor de Deus é ativo, diligente, esforçado, enérgico, inquieto... dinâmico. O seu dinamismo se estrutura, se organiza, numa "dinâmica", numa forma de implantar-se que lhe é própria: o despojamento de si mesmo, o "esvaziamento", o dom total de si.

Por isso, o seu verdadeiro dinamismo, a sua verdadeira energia (= dynamis), sua força e seu poder estão paradoxalmente na sua fraqueza, na debilidade. Ele se expressa indo ao extremo do dom total de si na cruz, se expressa morrendo, esvaziando-se.

Pedido:

"Senhor, ajuda-me a compreender o dinamismo do teu Amor por mim e pelo mundo... Ajuda-me a amar da mesma forma, com o Dom total de mim mesmo, até o esvaziamento total".

Oração:

Escolho um lugar que favorece o recolhimento; é o meu lugar sagrado. Procuro pacificar-me, acalmar-me. Coloco-me na presença de Deus através do sinal da cruz ou da repetição de um refrão meditativo (por ex.: "Vem Espírito Santo...").

Leio devagar os seguintes textos: Oséias 11,1-4 e Isaías 49,14-16.

Paro na frase que em que me senti mais tocado.

Com a memória e a imaginação vou repassando a minha história pessoal nas suas várias etapas (infância, adolescência), os lugares onde vivi, as pessoas que marcaram a minha vida. Faço-o sem nenhuma pressa, permanecendo mais tempo nos momentos mais importantes. Para ajudar-me, pergunto-me:

1) De que maneira e através de que pessoas Deus foi mostrando o seu amor e a sua misericórdia por mim? Que atitudes e gestos delas me impactaram? Por quê?

2) Em que fatos da minha família, do meu bairro, do meu estudo, da Igreja... foi se manifestando o Amor de Deus por mim?

3) Em que momentos mais difíceis senti o Amor de Deus para comigo? Como ele se manifestava?

Anoto o meu nome no tronco da árvore do desenho que recebi. Sou o tronco da minha árvore. Entre as raízes vou anotando o nome das pessoas que me marcaram positivamente e foram um sinal do Amor de Deus por mim (pais, avós, amigos...).

Ao terminar, torno a olhar o desenho, detendo-me em cada pessoa, deixando aflorar o sentimento que tenho por cada uma delas. Agradeço a Deus por cada uma delas, pelo positivo que trouxeram à minha vida. Reconheço também a presença de Deus que me acompanhava mesmo nos momentos mais difíceis e nas pessoas que me fizeram mal. A seguir, leio atentamente 2 Coríntios 12,1-10 e procuro perceber como o Amor de Deus se revela especialmente nos momentos em que sou mais fraco. Sou capaz de perceber que sou amado por Deus especialmente através das minhas fraquezas e não apesar delas?

Termino rezando com Efésios 3,14-21, pedindo a Deus graça de penetrar no mistério do seu amor, que supera todo entendimento.

Revisão: Dedico uns 5 minutos para revisar a minha oração: o que senti? O que mais me tocou? Em que pontos permaneci mais tempo? O que o Senhor quis me dizer nesta meditação?


2ª MEDITAÇÃO
OS CORAÇÕES DE JESUS E DE MARIA

Introdução:

A pessoa de Jesus, a sua humanidade, é muito importante em nossa espiritualidade. Nele "encontramos tudo: o seu nascimento, sua vida e sua morte: eis a nossa Regra", dizia o nosso fundador, Pierre Coudrin. Referia-se sempre às "4 Idades" de Jesus: infância, vida escondida, vida pública e vida crucificada.

Vemos a Jesus a partir desse "todo" de sua vida terrena. Esse "todo unificado" é o seu coração, o seu centro de unidade e de integração, de onde brotam as suas decisões e as suas opções. Essa síntese total de sua vida só se revelou plenamente na cruz, no seu coração traspassado. Por isso, vemos a pessoa de Jesus a partir daí.

O Coração de Jesus, traspassado na cruz, é o ápice de sua vida, pois ele está assim traspassado como conseqüência de suas opções, de suas atitudes e ações, tomadas ao longo de sua vida. Queremos fazer nossas todas as suas opções, atitudes e tarefas que o levaram a ter o coração traspassado na cruz.

Maria, frente ao seu filho com o coração traspassado, vê também uma espada traspassar o seu coração. Ela foi assim associada a todo o mistério da pessoa de Jesus e à sua missão. Ela é modelo de fé no Amor: permanece fiel até o fim, crendo na promessa de Amor do Pai, mesmo no meio das dificuldades e da noite escura. Desta forma, ela é para nós uma amostra bem sucedida da "fé no Amor de Deus", e assim nos precede e nos acompanha em nosso seguimento de Jesus.

Pedido:

"Senhor, faz-nos penetrar no mistério do coração traspassado do teu Filho. Ajuda-nos a entender os motivos que levaram a ter o coração assim traspassado: suas atitudes, suas opções, suas tarefas... Associa-nos, junto a Maria, nesse mistério de Amor".

Oração:

Coloco-me na presença do Senhor, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Faço o meu pedido.

Leio lentamente, duas ou mais vezes se necessário, os textos de João 19,25-37 e Lucas 2,33-35.

Procuro entrar dentro da cena. Contemplo a Jesus na cruz, ao seu coração aberto pela lança. Procuro penetrar dentro do seu coração, e tento entender o que vejo aí. Procuro entender o que o levou a ter o coração assim traspassado: os motivos exteriores, dos outros, e os motivos do próprio Jesus, os seus sentimentos interiores e mais profundos...

Depois procuro entrar no coração de Maria. Quais são os seus sentimentos? Como consegue ainda permanecer fiel em meio a tanto sofrimento?

O que te ensinam os corações de Jesus e de Maria?

E, para ajudar-me em minha vida, pergunto-me: Quais são as minhas opções, as minhas atitudes, as minhas ações...? Estaria disposto a ter o meu coração traspassado, por amor, se necessário? Já o tenho em parte assim traspassado por amor aos meus irmãos?

Termino rezando com o texto de João 7,37-39.

Revisão: Repasso o tempo de meditação que acabo de fazer, e procuro detectar aquilo que mais me marcou, a palavra através da qual Deus quis interpelar-me.


3ª MEDITAÇÃO
NOSSA VOCAÇÃO REPARADORA

Introdução:

O pecado e o poder do mal é uma realidade em nosso coração e em nosso mundo. Ele é algo que se opõe ao Amor do Pai e desfigura o seu desígnio sobre o mundo.

Cada um de nós participa de maneira pessoal dessa realidade. Somos pecadores. Ao longo de nossa história fomos machucados e ofendidos por outras pessoas, mas também ofendemos os outros, fizemos mal a outras pessoas. Tanto a nível pessoal, como sobretudo a um nível mais amplo, social, o pecado faz vítimas: a injustiça, o ódio...

Jesus, através de sua atitude e obra reparadora, veio cumprir o desígnio do Pai de salvar o mundo, reunindo todos os seus filhos dispersos no sangue do seu Filho, derramado na cruz.

Também nós somos chamados a participar dessa obra e atitude reparadora de Jesus, entrando em comunhão com a sua vida, tornando-nos "embaixadores da reconciliação", colaborando com todas as pessoas que trabalham para construir um mundo de maior justiça e amor entre os homens.

Pedido:

"Pai de bondade, que eu reconheça a minha condição de pecador, mas sinta também a alegria de sentir-me querido e perdoado por ti, e que assim renovado, eu me comprometa na obra reconciliadora do vosso Filho Jesus".


4ª MEDITAÇÃO
A NOSSA MISSÃO EVANGELIZADORA

Introdução:

A nossa ação evangelizadora nasce da contemplação do Coração de Jesus, que nos impele a viver o seu mesmo dinamismo de amor pelo mundo.

A nossa forma própria de unir-nos à atividade evangelizadora de Jesus é buscando a transformação do coração humano, tornando-nos agentes de comunhão, buscando construir uma sociedade justa e reconciliada, a partir dos pobres e em solidariedade com eles.

São características próprias de nossa ação missionária, herdadas de nossos fundadores, uma busca de abertura e disponibilidade para as urgências e necessidades da Igreja e a adaptação às circunstâncias concretas da missão.

Esse apostolado a partir do "coração" se expressa sobretudo através da compaixão. Compaixão é muito mais do que "sentir dó, pena" do outro, mas mantendo uma certa distância. Não é uma simples obrigação moral que se impõe por causa de valores e crenças religiosas.

A compaixão de Jesus tem as seguintes características:

1. Quem está no centro é o outro: Jesus é um homem totalmente voltado para as necessidades dos outros. Caminha no meio do povo, curando e ensinando. Custa a ter alguns momentos tranqüilos, pois está sempre rodeado de gente. Vive para os outros e não para si mesmo. Se compadece das pessoas porque as ama (cf. Mt 4,23-25).

2. Passa por cima dos preconceitos culturais e religiosos: Jesus se aproxima dos leprosos e pecadores. Cura os enfermos aos sábados, o que era proibido pela religião judaica. Assim Jesus mostra o seu senhorio e liberdade com relação às coisas do mundo. Não se importa com o que dirão. Jesus ama com um amor realmente livre, livremente compassivo (cf. Mt 9,10-13).

3. Não deixa esperar: é uma compaixão diligente, pronta. Jesus responde de imediato àqueles que dele necessitam; não deixa para depois, mesmo que o tirem do que está fazendo, do seu projeto, do seu modo de pensar (cf. Mt 8,1-3).

4. É um sinal do amor gratuito de Deus: Jesus, quando ama ou perdoa, o faz gratuitamente; não se importa se vai receber algo em troca

ou não. A compaixão de Jesus se manifesta com preferência para com os que têm menos méritos, os mais marginalizados e desprezados aos olhos dos homens. A estes, Jesus lhes devolve a sua dignidade de filhos de Deus.

5. É uma compaixão que passa pela cruz: a compaixão de Jesus rompe os esquemas a tal ponto que entra em conflito com os critérios dos homens do seu tempo e também do nosso. A sua forma de pensar leva-o a ser mal compreendido, perseguido e finalmente assassinado. Mas, Jesus ama e ama até o fim. Este é o mais belo sinal de sua entrega (cf. Mt 26,36-42).

6. É um convite para todos nós: a que rememos em sentido contrário à correnteza dos nossos tempos: ao espírito competitivo, ao desprezo e marginalização dos que tem menos, à falta de solidariedade com os que sofrem, à busca da comodidade e do prazer próprio acima de tudo, a um projeto de realização centrado em si mesmo.

Pedido:

"Senhor, faz com que eu entre no teu coração de pastor, e ame as ovelhas que a mim confiaste com um amor compassivo como o teu".

Oração:

Coloco-me na presença do Senhor. Respiro lenta e profundamente, procurando fazer silêncio interior. A cada respiração, repito a frase: "Vem, Espírito Santo, e renova-me". Imagino que o Espírito Santo é esse ar que entra em meus pulmões e me dá vida.

Leio lentamente o texto de Marcos 1,40-45. Procuro imaginar a cena com detalhes: o lugar, as pessoas (o leproso, Jesus), o que dizem (medito cada uma de suas palavras), o que fazem (os gestos, as reações...).

Depois, coloco-me no lugar de Jesus e medito sobre os "leprosos" que estão ao meu redor e me pedem compaixão (em minha família, entre os meus amigos, no colégio, no trabalho...). Que tipo de compaixão me pede cada um deles? (tempo, carinho, perdão, mais preocupação...).

E me pergunto: O que é que me dificulta a ter uma atitude compassiva? Que passos eu poderia dar?

Termino rezando com o texto de João 10, 11-18.

Revisão: Avalio meu tempo de oração e anoto o que mais chamou a atenção.


5ª MEDITAÇÃO
A NOSSA VIDA FRATERNA

Introdução:

A nossa vida em comum, marcada por laços de fraternidade, avaliza e dá testemunho do Amor redentor do Pai, manifestado em Jesus. Tem nesse amor a sua fonte, e é dele nada mais do que uma expressão, uma forma concreta de realização.

Em nossa espiritualidade a fraternidade se reveste de características de simplicidade e espírito de família, que se expressam através de relações de confiança, transparência, soltura, liberdade, sem formalismos, sem rodeios, sem aparências, sem enfeites, máscaras ou "dupla-face". São relações familiares, íntimas, acolhedoras, pessoais, livres e gratuitas...

Pretendemos também formar comunidades abertas, não fechadas em si mesmas, capazes de acolher a novas pessoas, e de acolher a cada qual do seu jeito, como um dom diferente que o Pai nos dá.

Pedido:

"Senhor, ajuda-me a reconhecer a comunidade e a cada irmão (ã) em particular como um dom teu a mim. Ajuda-me a acolher a cada pessoa da comunidade com atenção, carinho e compreensão. Ajuda-me a pôr em comum os meus dons, e a contribuir com alegria, entusiasmo, confiança e paz ao ambiente comunitário".

Oração:

Coloco-me na presença do Senhor, e preparo-me para o encontro com Ele, fazendo silêncio em meu interior, respirando lenta e pausadamente, aquietando o meu corpo numa posição cômoda.

Oração:

Começo a minha oração colocando-me na presença de Deus e pedindo-lhe que me ajude a renovar a minha vida.

Leio lentamente todo o capítulo 2 da Carta aos Efésios, duas ou mais vezes se necessário. Medito lentamente cada frase: o que mais me tocou?

Reconheço primeiramente o pecado em mim e no mundo, e os seus efeitos de morte. Quais são os meus maiores pecados? Quais são os seus efeitos negativos em mim? E os pecados e suas conseqüências que percebo ao meu redor, quais são?

A seguir, detenho-me diante da cruz de Cristo, na capela, no quarto... ou mesmo somente com a imaginação, e contemplo a Jesus, e penso no seu grande amor que me salva, na sua obra reparadora que destrói todos os muros de separação: Quais são os muros de separação que o Senhor derruba em mim e ao meu redor? Quais são os que ainda estão por ser derrubados? Estou disposto a ajudá-lo nessa missão de reconciliação?

Termino rezando com o texto de 2 Coríntios 5,14-21.

Revisão: Avalio o meu tempo de oração e anoto o que mais me chamou a atenção (são os chamados que o Senhor me faz).


6ª MEDITAÇÃO
A EUCARISTIA E A ADORAÇÃO CONTEMPLATIVA

Introdução:

Através da celebração eucarística entramos em comunhão com a ação de graças que Jesus ressuscitado rende ao Pai pela obra que Ele realizou em sua vida.

Jesus se revelou para nós como o Pão da Vida, enviado do céu pelo Pai como nosso alimento. O pão eucarístico é a presença real de Jesus ressuscitado, a manifestação mais concreta e visível do amor de Deus por nós.

A celebração eucarística, e a adoração eucarística que a acompanha:

- tornam-nos participantes das atitudes e sentimentos de Jesus para com o Pai e para com o mundo;

- impelem-nos a assumir o ministério de intercessão;

- recordam-nos a urgência de trabalhar pela transformação do mundo segundo os critérios do Evangelho;

- são a fonte e o ponto mais alto de nossa vida comunitária e apostólica.

Pedido:

"Senhor, ajuda-me a penetrar no mistério que significa a Eucaristia, a entrar na atitude oblativa de Jesus perante o Pai e o mundo. Ajuda-me a adorar o Pai, em atitude contemplativa, juntamente com Jesus, intercedendo por todos os homens, especialmente pelos que partilham comigo a mesma espiritualidade e missão".

Faço o meu pedido. E depois tomo o capítulo 18 de São Mateus. Leio-o lentamente, duas ou mais vezes se necessário.

Depois, repasso cada uma das atitudes que Jesus apresenta como necessárias para formar uma comunidade cristã: a humildade, a acolhida aos mais fracos, o cuidado para não escandalizar a ninguém, especialmente aos mais fracos, a busca de recuperação dos que se perderam, a correção fraterna, a oração, o perdão... Como estou em cada uma dessas atitudes?

E pergunto-me, pensando em minha comunidade: Como é a minha participação nela? Contribuo para que ela seja alegre, fervorosa, servidora...? Coloco os meus dons em comum e a serviço da comunidade?

Termino rezando com o texto de Colocenses 3,9-17.

Revisão: Avalio o meu tempo de oração e anoto o que mais me chamou a atenção, onde senti o afeto mais tocado, onde a reflexão se deteve por maior tempo.

 


Autoria: Pe. Walterson Vargas, ss.cc.
Diagramação:
Pe. Eribaldo P. Santos, ss.cc.
Reprodução:
Secretaria Provincial